Se engana quem pensa que tudo o que há de relevante no mundo foi descoberto ou criado pelos cientistas, filósofos e pensadores icônicos dos quais ouvimos falar pelo menos 100 vezes ao ano. Não que estejamos aqui desmerecendo vida e obra -fenomenais, por sinal- dos grandes, mas cabe a mim ressaltar que nas incontáveis paginas das obras de Platão, Aristóteles, Darwin e diversos outros cachorros grandes, não se encontram respostas esclarecedoras à uma questão que na antiguidade de nossa historia, dava um nó em diversas cabeças: como as características passam de uma geração para outra.
A resposta e prova cabal a esta questão veio de um homem que não tinha status de intelectual de sua época, mas que depois de sua descoberta, viria a ser considerado o "pai da genética".
Os primeiros passos
Gregor Johann Mendel nasceu em 1822 numa casa simples na cidade de Heizerdorf , que atualmente pertence a Republica Tcheca (na época de Mendel, Heizerdorf fazia parte da Áustria). Seu pai era um humilde camponês e sua família vivia, basicamente, do cultivo de alimentos oriundos daquela região.
Por ser de origem pobre, criado no ambiente rural, Mendel percebia que reproduzir e cultivar alimentos e plantas de diversos tipos era essencial para a sobrevivência -constatação que, futuramente, usaria como principal ferramenta para o maior trabalho de sua vida.
Mendel era um jovem tranquilo e de saúde frágil que amava sua família acima de tudo e odiava ficar por muito tempo fora de casa. Mas apesar disso, conseguiu estudar em excelentes colégios que ficavam distante de sua terra natal.
No final da adolescência, um desastre atingiu a vida de Mendel: seu pai ficou aleijado em decorrência de um acidente na fazenda da família, a tradição exigia que o filho assumisse o lugar de seu pai, que a esta altura, se encontrava debilitado e incapaz de exercer qualquer função produtiva. Mas o jovem Mendel tinha uma saúde muito delicada, logo, não poderia tomar conta de uma fazenda. Isso fez Mendel perceber que não conseguiria levar uma vida de trabalho duro e tampouco cansativa, então, tomou nota disto e resolveu abraçar a vida religiosa. Sendo assim, se juntou a uma irmandade de monges no mosteiro agostiniano de Brunn, afim de levar uma vida tranquila.
Dentre os diversos afazeres cabíveis em um mosteiro,-o agora monge- Mendel mantinha um jardim no qual passava todo seu tempo livre estudando algumas espécies de plantas. A medida que Mendel estudava, o desejo de conhecer crescia e só fazia aumentar o seu interesse nas espécies que tinha a seu dispor. Aumentava também a curiosidade sobre o que existia de diferente em especies que ele ainda não conhecia. Mendel se tornou um grande entusiasta das ciências naturais, então, em 1843, ingressou na universidade de Viena (Áustria), onde se aprofundou nos estudos de diversas especies de animais e plantas.
Surge um novo conceito
no seculo XIX a hereditariedade das características tinha uma explicação um tanto quanto antiquada. Para as pessoas da época de Mendel, os filhos eram uma especie de "mistura" dos pais. Por exemplo; um homem alto se casa com uma mulher baixa e, juntos, tem um filho, logo, esse filho só poderia ser de estatura média. Mas este conceito começava a ser contestado pois bastava uma pequena olhada nas ovelhas dos camponeses, por exemplo, que eram brancas (tanto o pai quanto a mãe) mas davam a luz a ovelhinhas negras.
Para mudar este conceito enfadonho foi necessário muito mais do que outro conceito enfadonho. foi necessário um gênio, que, com sua mente brilhante introduziu um conceito novo ao estudo da vida. Esse gênio foi Gregor Mendel.
Acima de um mero entusiasta das especies, Mendel também era um eximiu matemático que conciliou -como ninguém- leis matemáticas e leis biológicas. Partindo deste raciocínio, Mendel resolve por em prática uma teoria sobre a hereditariedade, mas para isso, ele precisaria de algo vivo, algo pequeno, com características únicas e que fosse fácil de contar quando em grandes números. E é ai que chegamos ao clímax de nossa historia; as ervilhas.
Lisas ou enrugadas, verdes ou amarelas. Mendel almejava entender como tais características passavam de uma geração à outra e no ano de 1856, arrumava ali mesmo, no jardim do mosteiro, sua plantação de ervilhas.
Inicialmente, Mendel cruzava ervilhas de textura lisa com ervilhas de textura enrugada, cruzamento do qual resultou 100% ervilhas lisas. Posteriormente, Mendel cruzou ervilhas lisas com outras ervilhas lisas e, surpreendentemente, nasceram ervilhas enrugadas e lisas (cerca de 50% enrugadas e 50% lisas). Com isso, Mendel percebeu que a característica enrugada não sumia da especie, só pulava uma geração, ou seja, o caráter enrugado continuava presente, só não se manifestava. Com isso, notou que a textura lisa era dominante sobre a textura enrugada -mas só depois de ter comprovado, contando à mão, cerca de 7324 ervilhas, onde aproximadamente 6000 eram lisas e menos de 2000 eram enrugadas.
Assim, Mendel solucionava o mistério da hereditariedade, demonstrando que um filho, não necessariamente se parecerá com seus pais.
O reconhecimento veio tarde
Em 1865, Mendel estava pronto para revelar sua descoberta extraordinária ao mundo. Colocou todos os seus dados científicos em sua maleta e foi até a sociedade de Brunn revelar aos estudiosos os frutos de anos de trabalho. Mas não correu tão bem como ele esperava, a reunião foi um desastre, todos esperavam uma demonstração sobre plantas, mas ao envés disso, assistiram à uma palestra sobre estatística. O desastre foi tamanho que a platéia foi toda embora antes do fim do espetáculo.
Após este vergonhoso episódio, Mendel foi encarregado de cuidar das finanças do mosteiro, tarefa que o impedia de se dedicar exclusivamente à ciência.
Mendel caiu em profunda tristeza, ainda sonhando com a glória que nunca alcançaria e morreu em 1884 (62 anos), no mosteiro de Brunn.
Seus escritos permaneceram quase que entocáveis até o final do século. O trabalho de Mendel só veio a ser descoberto por volta de 1900 e, merecidamente, Mendel foi reconhecido como o autor da obra que mudou o conceito da hereditariedade, passando assim a ser chamado de PAI DA GENÉTICA.
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